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TEM PESSOAS QUE NOS DESNUDAM SEM NOS TOCAR...- ELAINE LADEIRAS

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Tem pessoas que conseguem nos desnudar mesmo sem nos tocar. Elas são capazes de ler e decifrar nossos sentimentos mais profundos. Até mesmo aqueles que ainda não foram conduzidos por nós a consciência. São pessoas atentas, extremamente sensíveis e observadoras, que conseguem olhar além das aparências e assim, desvendar aquilo que o outro traz impresso em sua alma. Elaine Ladeiras

"SINTO-ME COMO AQUELE MENINO QUE RECEBEU UMA BACIA DE JABUTICABAS.AS PRIMEIRAS ELE CHUPOU DISPLICENTEMENTE MAS,PERCEBENDO QUE FALTAM POUCAS,RÓI ATÉ O CAROÇO..." - RICARDO GONDIM

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" Contei meus anos e descobri
Que terei menos tempo para viver do que já tive até agora
Tenho muito mais passado do que futuro
Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de jabuticabas
As primeiras, ele chupou displicentemente
Mas, percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades
Inquieto-me com os invejosos tentando destruir quem eles admiram
Cobiçando seus lugares, talento e sorte
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas
As pessoas não debatem conteúdo, apenas rótulos
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos
Quero a essência... Minha alma tem pressa
Sem muitas jabuticabas na bacia
Quero viver ao lado de gente humana, muito humana
Que não foge de sua mortalidade
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade."

Ricardo Gondim

POEMA "METADE" - OSWALDO MONTENEGRO

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Metade

Oswaldo Montenegro


Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
A outra metade é silêncio
 Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Pois metade de mim é partida
A outra metade é saudade Que as palavras que falo
Não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas como a única coisa
Que resta a um homem inundado de sentimentos
Pois metade de mim é o que ouço
A outra metade é o que calo Que a minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que mereço
Que a tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que penso
A outra metade um vulcão Que o medo da solidão se afaste
E o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
Que o espelho reflita meu rosto num doce sorriso
Que me lembro ter dado na infância
Pois metade de mim é a lembrança do q…

POESIA SEM NOME... AO AMOR QUE NÃO ACABA - IVANE PEROTTI

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POESIA SEM NOME... AO AMOR QUE NÃO ACABA

VISLUMBRES INSPIRADORES
- fragmentos da natureza entre a vida o homem –
“Senhor, ajudai-nos a construir a nossa casa com janelas de aurora e árvores no quintal. Árvores que na primavera fiquem cobertas de flores e ao crepúsculo fiquem cinzentas como a roupa dos pescadores.”Manoel de Barros
                              Quando as vozes suavizaram-se, finas cordas desceram do teto abobadado. Não eram muitas. Suficientes para prender o grito e amarrar a vontade. Bastantes para dar lugar ao teatro de lugares marcados pela força da inspiração.                              Invisíveis ao plano externo, as cordas ocupavam o centro da grande cena. No átrio, um cometa ameaçava romper os lábios da proteção sonora. De onde surgira? Duplas caixas infláveis localizadas no interior da cavidade torácica chamavam para si a responsabilidade do feito. Ambas trocavam movimentos: surdo e sonoro era o resultado do empuxo e da explosão. Mas a voz que se desprendia iniciav…

MELODIA DO AMOR...- ISABELA AFRODITE

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Melodia do Amor...
Sinto sua respiração em minha pele, seu corpo junto ao meu. 
Mais não consigo ver o teu rosto, fitar teu olhar. 
Ele é como o vento, uma leve brisa a me tocar o corpo.
E em algum lugar secreto por dentro te guardei.
Observo o teu caminhar, enquanto virar o olhar para mim.
E mesmo assim não consigo fitar...
Ouço suas palavras me dizendo, tire até meu ultimo suspiro, tire meu folego, para que eu possa cada vez mais te amar.
É quando eu viro impotente perante sua melodia.
Me perdendo em teus braços, contemplando seu movimentar.
E seu pulsar em minhas veias ainda faz-me delirar
Só quero-te ouvir falar que meus sonhos nunca vai terminar.
Faço pensar que estou dominada, quando na verdade te domino em meio meus lenções.
E para onde o vento soprar é lá que meu amor estará.
E é lá que você se perde em meus carinhos encaixando em meio dimensões, te abraçando ate que o amanhecer chegue, iluminando o teu sorriso que me entontece.
E não chorei, só derramaria uma lagrima se for por te amar dema…

"OS NINGUÉNS" - EDUARDO GALEANO

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“Os ninguéns”, por Eduardo Galeano
As pulgas sonham em comprar um cão, e os ninguéns com deixar a pobreza, que em algum dia mágico de sorte chova a boa sorte a cântaros; mas a boa sorte não chova ontem, nem hoje, nem amanhã, nem nunca, nem uma chuvinha cai do céu da boa sorte, por mais que os ninguéns a chamem e mesmo que a mão esquerda coce, ou se levantem com o pé direito, ou comecem o ano mudando de vassoura.
Do Revista Pazes
Os ninguéns: os filhos de ninguém, os dono de nada. Os ninguéns: os nenhuns, correndo soltos, morrendo a vida, fodidos e mal pagos: Que não são embora sejam. Que não falam idiomas, falam dialetos. Que não praticam religiões, praticam superstições. Que não fazem arte, fazem artesanato. Que não são seres humanos, são recursos humanos. Que não tem cultura, têm folclore. Que não têm cara, têm braços. Que não têm nome, têm número. Que não aparecem na história universal, aparecem nas páginas policiais da imprensa local. Os ninguéns, que custam menos do que a bala que os mata.
Edua…

O CONTO DO AÇAÍ É UMA HISTÓRIA DE AMORES

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O conto do açaí é uma história de amores
Alan Lima - 25 set, 2016
Um povo na cidade de Belém do Pará, antes de Belém ou o Brasil existirem, vivia da pesca, da música e do Açaí. As canções eram entoadas sempre antes da chuva da tarde. As crianças escolhiam se seriam músicas alegres ou tristes de acordo com sentimento que despertava a história do Contador. O Contador era alguém na tribo sabedor das origens das coisas. Era sempre um mistério sua identidade. Usava uma pintura no rosto, folhas cobrindo todas as formas do corpo, apenas seus pés apareciam. Num fim de tarde, as crianças pediram para o Contador falar como surgiu o Açaí, ele ficou trêmulo. Trêmulo mesmo. Mas por baixo das folhas ninguém percebeu. Respirou e começou a contar: -Por causa da falta de comida, o Pajé disse “Toda criança que nascer antes da comida voltar, deverá ser sacrificada antes de sofrer a desgraça da fome.” Assim foi, sempre que uma criança nascia era levada ao Pajé e ele a sacrificava. Um dia, uma mulher do nosso p…