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INFÂNCIA VELHA - FERNANDA POMPEU

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Infância velha
Tenho cada vez mais certeza de que a essência do meu eu nasceu e se consolidou nos dez primeiros anos da minha vida. Talvez isso aconteça com a maioria. Foi na minha primeira década que tive contatos fundamentais com exemplos, os bons e os ruins. Crianças são observadores profissionais. Também tenho a sensação que foram anos com régua quase infinita. Ao pensar na minha última década, os acontecimentos passam como corredores da São Silvestre, já os primeiros dez anos assaltam minha memória com duradouras texturas, cores, frases. A risada de um tio, um beijo de boa noite da minha mãe, um passeio pela orla com meu pai.  Antes de me tornar uma mulher madura, sempre ouvia os mais idosos relatarem a “volta da infância” à medida que envelheciam. De fato, é uma surpresa escutar os velhos narrando seus primeiros tempos. Minha mãe, cuja memória recente foi para o espaço, consegue descrever a casa em que viveu a infância com riqueza de detalhes digna de um romance de Honoré de Balza…