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Mostrando postagens de 2015

CARTÃO DE NATAL - JOÃO CABRAL DE MELO NETO

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CARTÃO DE NATAL

João Cabral de Melo Neto

Pois que reinaugurando essa criança
pensam os homens reinaugurar a sua vida
e começar novo caderno, fresco como o pão do dia; pois que nestes dias a aventura parece em ponto de vôo,e parece que vão enfim poder explodir suas sementes : que desta vez não perca esse caderno sua atração núbil para o dente; que o entusiasmo conserve vivas suas molas, e possa enfim o ferro comer a ferrugem
o sim comer o não.


TODOS OS JARDINS DEVIAM SER FECHADOS...- MARIO QUINTANA

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Todos os jardins deviam ser fechados,
com altos muros de um cinza muito pálido,
onde uma fonte pudesse cantar sozinha
entre o vermelho dos cravos.

...O que mata um jardim não é mesmo
alguma ausência nem o abandono...

O que mata um jardim é esse olhar vazio
de quem por eles passa indiferente.

Mario Quintana

SI QUIERES LA LUNA,NO TE ESCONDAS DE LA NOCHE...- RUMI

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O SEGREDO É NÃO CORRER ATRÁS DAS BORBOLETAS...É CUIDAR DO JARDIM PARA QUE ELAS VENHAM ATÉ VOCÊ...- MÁRIO QUINTANA

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O AMOR MORA ENTRE O TEMPO DE CHEGAR E A HORA DE PARTIR.BEM AO LADO VIVE A SAUDADE.

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O amor mora entre o tempo de chegar e a hora de partir. Bem ao lado vive a saudade. Veio num domingo à tardinha, três de agosto. Chegou de uma vez, de malas, dançando com a beleza. Encheu meus silêncios de música, me contou seus começos e meios e fins. Cochilou no sofá, acordou ao meu lado, rezou comigo de manhã, antes da lida. Firme e mansa, me jogou amor na cara. Fez a festa, pintou as paredes de riso. No ar, ventilou um hálito doce, fresco. Encontrou seu espaço, apertou os cintos e embarcou comigo na aventura do sonho. Partimos sem escalas rumo a um futuro imaginado, casório, casa, filhos, férias. Voamos alto, dividimos bagagens, a cama, o lanche, a conta do restaurante. Conhecemos nossos senões e porquês e poréns. Miramos de perto um caminho longo, bonito, cercado de árvores e matos e flores e plantas na estrada que vai longe, imaginando como seríamos nós quando chegássemos às últimas sombras do jardim. Trouxe comida, bebida, papel higiênico. Tentou arrumar a bagunça da casa e o tumul…

"EU ACREDITO NO PODER DAS CORES,DOS TONS,DO CHEIRO,DO BARULHO DA CHUVA..." - AURILENE DAMASCENO

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OS PENSAMENTOS CONVERSAM QUANDO PARAMOS DE OUVÍ-LOS - CARPINEJAR

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Há uma necessidade cultural de chamar para se divertir um filho que lê um livro no quarto. Será que aquilo também não é diversão? Escutei muito: "Vá brincar lá fora, tem sol". Dentro não pode ter sol?Duvido, sim, dos que não ficam um pouco em si, mergulhados, imersos, centrados, costurando as palavras com os cílios da agulha, tramando uma figura no pano de prato, uma figura que nunca terá legenda. Os pensamentos conversam quando paramos de ouví-los.
Carpinejar

O SOM DO SILÊNCIO - LUIZ CARLOS LISBOA

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O som do silêncio, Luiz Carlos Lisboa
Os lugares que frequentamos e as pessoas que estão à nossa volta vão ficando invisíveis com o passar do tempo. Aos poucos, nossa atenção encontra novos alvos e a paisagem some, como somem os rostos e a realidade particular de cada um, até que não reste quase nada. E, no entanto, estão todos vivos a nosso lado, e o sol se põe de um modo que um dia nos pareceu tão bonito, e aquela mulher canta de um jeito que antes nos fascinava tanto. Esse mundo querido ficou invisível para nós porque nos acostumamos com ele – e acostumar-se quer dizer não mais notar, não ouvir e talvez amar um pouco menos. Mas toda a beleza perdida aparece outra vez quando abrimos os olhos e vemos tudo de novo – como da primeira vez.
Luiz Carlos Lisboa, “O som do silêncio”, Editora Verus, página 79.
(Rio de Janeiro, 22 de dezembro de 1929) é um escritor e jornalista brasileiro (Jornal do Brasil e O Estado de S.Paulo).

Autor de cerca de 40 obras, entre ensaios, contos, uma trilogia (ro…

LOUCOS E SANTOS - OSCAR WILDE

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Loucos e santos, Oscar Wilde
Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco! Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Cri…

NOSSOS ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO - TAIS LUSO DE CARVALHO

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NOSSOS ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO -Tais Luso de Carvalho
Estou aqui, sentada em frente ao monitor, escutando Soy Como Toda Mujer - de Maria Martha Serra Lima – e sinto que certas músicas me emocionam. Meu objetivo era desenrolar o assunto sobre os animais por outro ângulo, indo por outros caminhos, mas estou mudando de rumo. Talvez a música esteja me fazendo pensar mais com o coração; e esteja me dando mais indícios para entender a alma humana, tão complicada, quase indecifrável.
Só posso ver a dimensão da bondade de um ser humano se olhar como este ser humano trata os animais. Aqueles seres, de coração duro e de alma fechada, que se sentem mal ao afagar um cachorrinho ou gato, que acham que aqueles que lutam pelos direitos dos animais não passam de babacas... Bem, estes não precisam ler este texto; este texto é para aqueles que amam, que curtem e que cuidam dos outros seres que habitam este planeta.
Em geral, quem tem um animal de estimação tem para onde canalizar afetos e vários sentimentos. …

RUMI : O AMOR SENSUAL E DEVOÇÃO PELO AMADO

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O beijo, a icônica e erótica obra-prima de Gustav Klimt, feita em 1908Rumi: amor sensual e devoção pelo amado"Que o amado se desgrace, seja louco, perca a cabeça. // Um sóbrio se preocuparia com um final infeliz. Que o amado seja o que é."
Fonte:http://www.papodehomem.com.br/rumi-amor-sensual-e-devocao-pelo-amado?
De nossa perspectiva pode parecer extraordinário que o amor seja, em tantos aspectos, uma invenção cultural.

É claro que animais praticam coisas que podemos descrever como amor, ainda que em geral, no que concerne à sexualidade, costumeiramente separemos aquela atividade dita “instintiva” de nossos ideais mais propriamente humanos, e assim por diante. Pode ser especismo, mas também separamos em nós mesmos a atividade mais instintiva daquela que tem significado, e as reconhecemos distintas. Chegamos ao ponto de imputar a inexistência de um fator puramente determinístico na relação filial de mamíferos: é tudo oxitocina, “gene egoísta”, o escambau. São os bichos – e hoje c…

"QUE O AMOR NOS SALVE DA VIDA"

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"QUE O AMOR NOS SALVE DA VIDA"
Alguns amores nos salvam da vida. Por resgatarem quem somos depois que partes de nós mesmos são deixadas pelo caminho. Por fazerem de nossas cicatrizes parte de suas estruturas também. Por acolherem nossa história com delicadeza, transformando o que era imperfeito numa nova possibilidade. Por permitirem o encontro com a esperança, o cortejo com a fé. Por dividirem as angústias do existir, permitindo que nossos fantasmas sejam lapidados, nunca enterrados.

Esta semana recebi o email de uma leitora, brasileira residente em Dallas, contando sua história. Me pediu um texto. Embora não costuma fazer textos sob encomenda, algo me despertou, e recordei a frase atribuída ao poeta e escritor Pablo Neruda (na realidade a frase é de Javier Velaza), que diz: "Se nada nos salva da morte, pelo menos que o amor nos salve da vida"... Pois a vida é uma experiência dura, muitas vezes confusa, incompreensível e incerta; e reconhecer um abrigo no meio de tan…

CORA CORALINA E SUA LIÇÃO DE VIDA

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Cora Coralina e Sua Lição de Vida
Um repórter perguntou à poeta Cora Coralina o que é viver  bem.Ela lhe disse:
"Eu não tenho medo dos anos e não penso em velhice. E digo pra você, não pense.
Nunca diga estou envelhecendo, estou ficando velha. Eu não digo. Eu não digo que estou velha, e não digo que estou ouvindo pouco.
É claro que quando preciso de ajuda, eu digo que preciso. Procuro sempre ler e estar atualizada com os fatos e isso me ajuda a vencer as dificuldades da vida. O melhor roteiro é ler e praticar o que lê.
O bom é produzir sempre e não dormir de dia. Também não diga pra você que está ficando esquecida, porque assim você fica mais.
Nunca digo que estou doente, digo sempre: estou ótima. Eu não digo nunca que estou cansada.Nada de palavra negativa. Quanto mais você diz estar ficando cansada e esquecida, mais esquecida fica.
Você vai se convencendo daquilo e convence os outros. Então silêncio! Sei que tenho muitos anos. Sei que venho do século passado, e que trago comigo todas as idade…

"NUNCA ESCREVEREI UMA PALAVRA PARA LAMENTAR A VIDA..." - CORA CORALINA

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"Nunca escreverei uma palavra para lamentar a vida.
Meu verso é água corrente, é tronco, é fronde.
É folha, é semente, é vida..."

Cora Coralina

A DOR DE EXISTIR - PEDRO CARVALHO

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A dor de existir²
Podia ser quem quisesse. Um poeta malogrado em sua escrita logorréica à sua amada, uma criança de fala e movimentos débeis, um homem atazanado em seus próprios conflitos, a própria elegância e cortesia ou ainda um fracasso. Ele só não podia ser apenas uma coisa interinamente. Oscilava como o tempo que em suas frações menores que milésimos, mais infames que milésimos, faz um camaleão incorporar suas matizes, o vento volver a curva e um pensamento vagar em despropósito.

Um homem e um distúrbio. Sim, tinha caráter; sim, era digno. Mas algo o afetava. Sofria irrefletidamente. Sensibilizava-se de quase tudo, embora, por instantes, revelava-se sisudo e severo. Tinha bom senso de humor, ótimo senso de humor, podia irradiar vendo um cachorrinho auferir-lhe gracejos; mas de vez por outra, no meio de um largo sorriso, suas maçãs se lavavam de um líquido choroso que, todavia não eram alegres. Não, não eram alegres. Mesmo assim, com toda a crise, podia ser quem quisesse: o poeta e…

SOBRE FLORES - PEDRO CARVALHO

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Sobre flores Minhas armas são flores;
já nascem para morrer.
Cor - pólen.
Cor - fogem.

 por 

ELA - PEDRO CARVALHO

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Ela Ela fechou a porta com vagar extremo e se afastou, furtiva, como quem abandona um doente que acaba de adormecer à meia-noite. Àquela altura, o quarto atrás do seu calcanhar, escapara definitivamente de alcance. Do lado de fora, na rua, caía uma chuva, indômita, gris, que frutificava as propriedades sinistras do lusco-fusco. Num rompante, atravessou de uma calçada a outra se desviando dos carros congestionados e caminhou precipitada sob as marquises.
O café, atabalhoado de gente, parecia não se incomodar com a imagem da mulher revirando sua bolsa, arrancando lá de dentro um maço de cigarros amassado e molhado. Trêmula - de frio ou por conseqüência da decisão tomada há poucos instantes –, com a carranca pálida, manchada de maquiagem, mal sustentava o cigarro. A boca, miúda e fina – um traço, borrada da cor que deveria ser dona, tragava e lançava lufadas mortiças. Pediu e serviu-se de café com uísque. A luz, débil, que pendia sobre sua cabeça, estampava no cenho, mais acentuada, as exp…

O AMOR SEGUNDO O POETA CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

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O amor segundo Drummond
Entre uma vasta produção literária, os poemas de Drummond mostram sua forma peculiar de ver o mundo. Inclusive, o amor. 

Drummond escreveu que não seria o cantor de uma mulher. E não o foi. Também escreveu que não cantaria amores que não tinha e que, quando teve, nunca os celebrou. Em verdade, teve dois grandes amores. Duas mulheres distintas: sua esposa, Dolores Dutra de Morais, e sua filha, Maria Julieta Drummond de Andrade, falecida doze dias antes de seu próprio falecimento, em agosto de 1987, que, no entanto, nunca lhe mereceram os maiores laivos de poesia. Nem elas, nem seus "affaires". Que os teve. O amor de Drummond - o amor maravilhoso - era também frustrado e incompleto, falho, humilhante. “Sarai-me, Senhor, e não desta lepra,/ do amor que eu tenho e que ninguém me tem”, escreveu num poema dedicado a Milton Campos, intitulado “Romaria” (do livro “Alguma poesia”, de 1930). De coração muito pequeno, “estúpido, ridículo e frágil”, o poeta concebi…

"TEM UMA VERDADE QUE SE CARECE DE APRENDER..." - GUIMARÃES ROSA

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PERDEMOS O MELHOR POR DELICADEZA - SÍLVIA MARQUES

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Perdemos o melhor por delicadezaNão aconselho ninguém a sair por aí fazendo grosserias e dizendo verdades idiotas que nada acrescentam, como por exemplo, “ Desculpa amiga , mas acho a fulana mais atraente do que vc. Vc ficou triste?” Só para esclarecer: a fulana mais atraente em questão é uma antiga paixão do seu namorado ou uma colega de trabalho que queimou o seu filme com o chefe.
Acredito que temos o dever moral de sermos gentis com as pessoas , principalmente quando elas estão em nossa casa. Ser desatencioso com uma visita pelo simples fato de o papo da pessoa em questão não agradar, não me parece espontaneidade. Parece-me grosseria mesmo. Temos o dever moral de oferecermos o nosso melhor para as pessoas, confortando-as quando preciso , independente de elas serem nossas amigas , colegas ou parentes. A empatia é um dos mais belos traços humanos. É o que nos torna realmente humanos.

Entrar em uma boa sintonia com as pessoas faz muito bem à saúde física e mental.
Por outro lado, deixar…