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Mostrando postagens de 2014

AS SEM-RAZÕES-DO-AMOR - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

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As sem-razões-do-amor
Eu te amo porque te amo
Não precisas ser amante
E nem sempre sabes sê-lo
Eu te amo porque te amo
Amor é estado de graça
E com amor não se paga.
Amor é dado de graça
É semeado no vento
Na cachoeira, no eclipse
Amor foge a dicionários
E a regulamentos vários
Eu te amo porque não amo
Bastante ou demais a mim
Porque amor não se troca
Não se conjuga nem se ama
Porque amor é amor a nada
Feliz e forte em si mesmo
Amor é primo da morte
E da morte vencedor
Por mais que o matem (e matam)
A cada instante de amor.
--Carlos Drummond de Andrade

A ALQUIMIA DO AMOR : POESIA DE HUMI

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A Alquimia do Amor : Poesia de Humi

O primeiro parágrafo do capítulo 15, em que Rumi fala da FONTE UNA. a obra Fihi-ma-fihi ou O livro do interior, publicado há alguns anos no Brasil pelas Edições Dervish

Há no homem um amor, uma dor, uma inquietude, um apelo que, mesmo se tivesse cem mil universos, não encontraria calma e repouso. As pessoas exercem todos os tipos de profissão, de negócios, e fazem todos os tipos de estudos – medicina, astronomia etc. – mas não encontram repouso, pois seu objetivo não é alcançado. Chama-se o Bem-Amado de ´repouso da alma´; e como seria possível encontrar repouso e quietude senão n´Ele? (p. 96).
**** Nas páginas do Fihi-ma-fihi também se encontra uma série de histórias contadas pelo mestre RUMI.  Uma das histórias de que fala da amizade:
“Uma grande caravana viajava e não encontrava cidade alguma, nem água. De repente, encontraram um poço, mas eles não tinham nenhum balde. Pegaram um caldeirão e cordas, e deixaram-no descer até o fundo do poço. Puxaram o c…

SONETO À FILHA - IVAN CÉSAR

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Soneto à filhaQue tu, minha filha, sejas assim
Sempre uma pessoa inteira
Mas presa a um ser intangível
Que andes no perímetro de mim

E que ainda plena e verdadeira
Fujas da linha do impossível
Sem ouvir os parâmetros do fim
Nem temer a inefável besteira

Que debeles o arco do invisível
E na aventura azul vestida de brim
Faças dos sonhos a arma certeira

Que tu , minha filha, venças assim
Sem receio aos mitos do invencível
Ou ao paredão humano da geleira

Ivan César

SENTIMENTO DE PERTENCER OU PERTENCIMENTO - A MEMÓRIA MATERIAL E IMATERIAL PERMANECE EM NÓS

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NO COLO DE MÃE - DANLIMA

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no colo de mãe 1danlima· Brasília, DF8/6/2010 · 8 · 9 ,anda mãe- canta prá mim aquela musguinha que pai cantava quando ainda estava vivo..
E o menino encostava a cabeça no colo de mãe, se ajeitava( nos olhos, as águas borbulhavam: eram lágrimas, querendo fluir, romper o dique das emoções de criança que já havia tido contato com a morte e que sofrera, sofrera com muita antecedência as dores do mundo)
-qual, filho? Eram tantas musguinhas que pai cantava...
-aquela mãe, do balão,sabe qual?
-sei sim, filhote- claro que sei ( e aí, são mais olhos querendo esconder águas represadas: mãe se lembra do pai, companheiro de tantas horas, de tantos tatos, companheiro de anos muitos, que morrera deixando-a com filhos a criar, pequenos, outros grandes, a saudade muito maior ainda, mas ela não pode chorar agora, só depois, no seu quarto, na sua cama que outro homem não m ais compartilhara).

“balão custa dinheiro,
Dinheiro custa a ganhar,
Arreda papai, arreda mamãe,
Deixa o meu balão passar”

A voz de mãe soa su…

O VESTIDO - ADELIA PRADO

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CASAMENTO - ADÉLIA PRADO

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DONA DOIDA - ADÉLIA PRADO

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Dona DoidaUma vez, quando eu era menina,  choveu grossocom trovoadas e clarões,  exatamente como chove agora.  Quando se pôde abrir as janelas, as poças tremiam com os últimos pingos.
Minha mãe, como quem sabe que vai escrever um poema, decidiu inspirada: chuchu novinho, angu, molho de ovos. Fui buscar os chuchus e estou voltando agora, trinta anos depois. Não encontrei minha mãe.
A mulher que me abriu a porta, riu de dona tão velha, com sombrinha infantil e coxas à mostra. Meus filhos me repudiaram envergonhados, meu marido ficou triste até a morte, eu fiquei doida no encalço.
Só melhoro quando chove.
Adélia Prado

HÁ UM AMANHECER ENTRE NOSOTROS...- M.R.

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O DIREITO DE SONHAR - EDUARDO GALEANO

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O Direito de Sonhar – Eduardo Galeano Sonhar não faz parte dos trinta direitos humanos que as Nações Unidas proclamaram no final de 1948. Mas, se não fosse por causa do direito de sonhar e pela água que dele jorra, a maior parte dos direitos morreria de sede. Deliremos, pois, por um instante. O direito, enfim, de sonhar por um mundo melhor!


O direito de sonhar... (Eduardo Galeano)

Uma bela e sempre oportuna reflexão, nos oferecida pelo escritor e pensador uruguaio Eduardo Galeano, sobre a importância dos sonhos e da coragem em torná-los realidade, apesar de tudo...







Eduardo Hughes Galeano (Montevidéu, 3 de setembro de 1940) é um jornalista e escritor uruguaio. É autor de mais de quarenta livros, que já foram traduzidos em diversos idiomas. Suas obras transcendem gêneros ortodoxos, combinando ficção, jornalismo, análise política e História.
“As Veias Abertas da América Latina”é sua obra mais conhecida e de maior relevância.
A obra de Eduardo Galeano nos leva a olhar para o passado que temos viv…

A ÚLTIMA ENTREVISTA DE CECÍLIA MEIRELES

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A última entrevista de Cecília Meireles A escritora morreu alguns meses depois de ter concedido o depoimento ao jornalista Pedro Bloch, em maio de 1964 “Tenho um vício terrível” — me confessa Cecília Meireles, com ar de quem acumulou setenta pecados capitais. “Meu vício é gostar de gente. Você acha que isso tem cura? Tenho tal amor pela criatura humana, em profundidade, que deve ser doença.” “Em pequena (eu era uma menina secreta, quieta, olhando muito as coisas, sonhando) tive tremenda emoção quando descobri as cores em estado de pureza, sentada num tapete persa. Caminhava por dentro das cores e inventava o meu mundo. Depois, ao olhar o chão, a madeira, analisava os veios e via florestas e lendas. Do mesmo jeito que via cores e florestas, depois olhei gente. Há quem pense que meu isolamento, meu modo de estar só (quem sabe se é porque descendo de gente da Ilha de São Miguel em que até se namora de uma ilha pra outra?), é distância quando, na realidade, é a minha maneira de me deslumbra…